Tínhamos poucas semanas de curso e o pelotão do qual eu fazia parte deveria ir a época Cpchoque, hoje Bope, para conhecer as instalações e peculiaridades da unidade.
Ainda mais paisanos que militares, alunos que nos amedrontávamos com tudo, esse “passeio” foi motivo de bastante apreensão de todos desde o primeiro momento que foi anunciado. Para completar, na referida semana da visita, o xerife do pelotão era o menos indicado possível. Era aquele que no jargão dos cursos chamávamos de bisonho, pois não conseguia decorar os comandos, apresentava o pelotão como completo quando havia ausências e por ai vai.
Chegando a Cpchoque fomos direto à sala de aula, onde nos foi apresentado de forma sucinta como funcionava a cia, suas funções, etc. Até ali, para espanto de todos, o xerife tinha se saído muito bem, até parece que havia feito algum treinamento intensivo na folga.
Fomos convidados pelo instrutor para saírmos da sala e conhecermos os principais veículos utilizados para controle de distúrbio civil, o Centurion e o Bernardinho.
Ainda a distância o instrutor discorreu sobre as funcionalidades dos dois veículos no que ordenou ao xerife:
– Xerife, coloque seu pelotão em forma e o encaminhe até as proximidades dos veículos para que possam entrar nos mesmos e conhecer melhor.
Tudo que tinha dado certo até ali, parece ter ido por água abaixo e o xerife com o corpo inundado pela adrenalina do momento até conseguiu comandar Pelotão, sentido, pelotão cobrir, mas no momento de dar o comando de sem cadência, esqueceu-se dos nomes dos veículos.
Nada o faria lembrar, dado o seu nervosismo, mas um policial da Cpchoque percebendo o que acontecia, cochicha algo ao seu ouvido, ao que o xerife de pronto comanda:
– Atenção pelotão, em direção ao TRIO ELÉTRICO, sem cadência, marche!!
Bom, depois desse comando, perdi a conta das flexões que pagamos…